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INTRODUÇÃO – FALAR EM PÚBLICO

O palestrante estava confortavelmente sentado, ao nível de todos os presentes. Era uma posição muito cômoda. Aí ele foi anunciado. Teve que levantar-se, caminhar até a tribuna e virar-se para as pessoas. Que diferença! Todos os olhos voltados em sua direção. Um silêncio total. Parecia que o chão escapava de seus pés. As pernas tremiam, não podendo sustentar o peso de seu corpo naquela posição tão desconfortável. As idéias ficavam confusas. “Parece que, quando o corpo sobe, as idéias descem”. Mas ele tinha que falar. A boca secou. E as mãos suavam e cresciam cada vez mais. Cruzou os braços, mas não se sentiu confortável. Pôs as mãos atrás do corpo e também não ficava bem. Esfregou as mãos no queixo. Colocou-as na cintura. Apoiou o corpo na perna direita e deixou cair a mão esquerda. Inverteu a posição. Deixou cair as duas mãos. Colocou-as na frente. No bolso. Caminhou em círculos, etc.

Por que é tão difícil enfrentar uma platéia? O que leva a maioria das pessoas a verem essa experiência como um dos desafios mais difíceis de serem superados? Por que a simples perspectiva de ter que proferir algumas palavras basta para deixar uma pessoa nervosa? Será possível transformar o desafio de falar em público numa experiência prazerosa, gratificante e enriquecedora? Ou seja, será que qualquer pessoa pode ficar diante de uma platéia e transmitir naturalmente suas idéias, comunicar seus sonhos e sentimentos, persuadi-las, influenciá-las e convencê-las?
É claro que sim. Basta aprender e seguir algumas regras simples. A proposta deste livro é orientá-lo para desenvolver a habilidade de falar com clareza, objetividade, desembaraço, segurança, entusiasmo e prazer diante de uma platéia.

Afinal, o que as pessoas mais fazem durante o dia? Conversam. Não apenas na família ou em reuniões sociais, mas praticamente em todas as atividades profissionais, as pessoas passam mais de cinqüenta por cento do tempo conversando. O objetivo, portanto, é tornar esta conversa mais compreensível, mais eficaz em termos de dicção, ordenamento das idéias e expressividade. E que, ao falar em uma reunião ou proferir uma palestra para dez, vinte, cinqüenta, duzentas ou mil pessoas, mantenha-se a mesma naturalidade adotada em um diálogo com uma ou duas pessoas no trabalho, na família ou com os amigos.

Imagine um empresário, diretor ou gerente que consegue pôr-se de pé e falar com desembaraço frente a um grupo e compare-o com outro prolixo, inibido, com péssima dicção, incapaz de coordenar duas idéias. Além de ser a imagem da empresa que está sendo representada, o primeiro terá grande vantagem, pois fará prevalecer suas idéias. E quantos executivos há que não conseguem causar boa impressão? Não conseguem vender suas propostas e erguem verdadeiros muros de resistência a suas idéias e programas? Quantas idéias boas se perdem pela boca de quem as pronuncia? E isso vale para todas as profissões: advogado, professor, médico, engenheiro, arquiteto, administrador, psicólogo, vendedor, agrônomo, relações públicas, secretária, etc. Em qualquer atividade, a capacidade de comunicar-se com eficácia com pequenos e grandes grupos é uma arma poderosíssima que abre as portas para o sucesso.

Desde mil novecentos e oitenta e um, desenvolvo o curso Dicção, Oratória e Desinibição. Já treinei milhares de pessoas na faixa dos treze aos oitenta e cinco anos. Pessoas com nível de formação e origens as mais variadas. Acredito que praticamente todas as profissões já foram representas em meus cursos. Estou convencido de que qualquer pessoa pode falar com naturalidade e desenvoltura para qualquer tipo de platéia. Já vivenciei um número incontável de experiências extremamente gratificantes de pessoas que, ao se colocarem diante do público, não conseguiam coordenar duas frases. Parecia que iam ter um enfarte. No entanto, após apenas alguns dias de treinamento, conseguiram ocupar a tribuna e arrebatar o auditório com discursos vibrantes e inflamados.

Este livro contém um conjunto de técnicas e sugestões que poderão auxiliá-lo a desenvolver e aprimorar suas habilidades em se comunicar. Tudo o que ele contém são sugestões essencialmente práticas testadas muitas vezes no decorrer desses anos, que comprovaram que, quando aplicadas, contribuem para tornar a comunicação mais eficaz.

Para beneficiar-se efetivamente do conteúdo do livro, além de lê-lo, é fundamental que você pratique os exercícios constantes dele e naturalmente, sempre que houver uma oportunidade, aproveite-a utilizando as técnicas aqui propostas.

Cuidado com os rótulos! Se quiser desenvolver a arte de falar, a primeira atitude é libertar-se das crenças limitadoras. As crenças moldam os comportamentos que determinam os resultados. Se você integra o grupo dos que acreditam que não tem o dom de falar em público, será difícil desenvolver essa habilidade, enquanto não reformular suas crenças. Falar em público não é um Dom, é uma habilidade desenvolvida no decorrer dos anos, através de trabalho disciplinado e persistente.

Observe as pessoas que você admira como grandes comunicadores. Eles não foram sempre assim. Desenvolveram suas habilidades com o passar dos anos, praticando e criando oportunidades para falar. No início, com certeza, enfrentaram os mesmos obstáculos de ordenamento de idéias, timidez, insegurança que outras pessoas enfrentam.

Há, na história da oratória, centenas de exemplos de grandes oradores que enfrentaram barreiras terríveis no início de suas carreiras. Porém graças a sua fé, esforços e determinação, conseguiram superá-las e tornar-se verdadeiros artistas no domínio da arte de falar.


 


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